Identificada pela primeira vez no início dos anos 80, principal sintoma é hipertensão pontual, ou seja, os pacientes têm leituras de pressão alta em um ambiente médico, mas condições normais fora do consultório

Que verdade seja dita: ir ao médico, embora extremamente necessário, não é o melhor dos programas. Há algumas pessoas, porém, que tremem de pavor só de pensarem na possibilidade de uma consulta. Elas têm aversão a injeções, pavor do ambiente hospitalar, ficam nervosas ao imaginar os futuros exames, a ponto de suarem frio, e, principalmente, medo exacerbado de descobrir qualquer doença, mesmo as mais simples, durante um check-up de rotina. Este tipo de reação que muitos têm frente a profissionais de saúde tem nome: latrofobia ou iatrofobia – do grego “iatrós”, que significa médico. Medo de médico, portanto. Ou, como é mais conhecida, a “síndrome do jaleco branco” (SJB).

De acordo com registros da Universidade da Califórnia, nos EUA, a síndrome foi identificada pela primeira vez no início dos anos 1980. Seu principal sintoma é a hipertensão pontual, ou seja, os pacientes têm leituras de pressão alta em um ambiente médico, mas condições normais fora do consultório. É difícil precisar quantas pessoas sofrem com esse problema ao redor do mundo, principalmente por conta da subnotificação, mas o quadro é mais comum do que parece. Estudo divulgado pela Universidade da Pensilvânia estima que uma em cada cinco pessoas tenha os sintomas.

A psicóloga Adriane Pedrosa, que faz parte do corpo clínico do Cetus Oncologia [hospital dia especializado em tratamentos oncológicos com sede em Betim e unidades em Belo Horizonte e Contagem], afirma que na maioria das situações, a síndrome do jaleco branco é proveniente de um trauma vivenciado ou de uma situação de pressão com um familiar. “Isso pode gerar um bloqueio emocional, que acaba desencadeando uma sensação de pavor todas as vezes em que a pessoa se vê diante de um médico ou precisa ir ao hospital”.

 O maior problema desta síndrome, como aponta Adriane, reside no fato de que ela pode atrapalhar os diagnósticos médicos. Isso porque uma vez que a pessoa toma aversão ao ambiente hospitalar, dificilmente estará focada em olhar para a saúde do ponto de vista preventivo, ou seja, cuidar do corpo e da mente antes que qualquer enfermidade apareça. “A pessoa com a SJB, muitas vezes nem sabe que a tem, mas pode apresentar alguns comportamentos típicos de pacientes com o distúrbio. Ela não gosta, por exemplo, de fazer check-ups periódicos e muitas vezes recorre à automedicação para postergar a ida ao médico. Há casos extremos nos quais só o fato de acompanhar terceiros durante a consulta, já desperta pavor”, cita. A consequência dessa postura, segundo Pedrosa, pode trazer prejuízos à longo prazo, já que quanto mais demoradas forem as visitas aos especialistas, maiores são as chances das doenças serem detectadas em estágio avançado. “Principalmente o câncer que pode aparecer em qualquer homem ou mulher, independentemente da idade”, completa Adriane.

Tratamento

Adriane enfatiza que o principal problema para quem tem a síndrome do jaleco branco é conseguir dominar os medos criados pela mente sobre o ambiente hospitalar e os médicos. “Na nossa cultura fomos criados com a percepção de que a saúde deve ser curativa e não preventiva, ou seja, de que o profissional de saúde só deve ser procurado quando estamos mal e precisamos de ajuda. Por isso muitos acabam construindo a ideia equivocada de algo ruim relacionado aos médicos. Os mitos precisam ser desconstruídos. Saúde é vida, é autocuidado, é a capacidade de antevermos o problema antes que ele aconteça”.

Ainda segundo a psicóloga, quem tem dificuldade para fazer essa dissociação e sofre com a síndrome de maneira extrema, pode recorrer à psicoterapia. Quando o problema é mais leve, usar frases otimistas para bloquear o pensamento negativo relacionado ao ambiente hospitalar é uma alternativa. “Um bom exemplo é a pessoa internalizar que ‘está tudo bem e ela apenas está fazendo um check-up, necessário para impedir que a saúde fique mal. O cérebro tem mecanismos complexos e acaba dominando nossa mente. Com isso, movidos pelo medo, criamos falsas verdades e crenças limitantes que só atrapalham, geram desconforto e medo. É preciso separar fantasia do que é realidade”, conclui.

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