Nas imagens, artistas enaltecem o local de onde vieram, além de pedirem proteção para arsenal hídrico da região

Para conscientizar os fãs sobre a importância da preservação da Serra da Moeda, os integrantes da Lagum, banda de sucesso nacional que se formou em 2014, em Brumadinho, gravaram um vídeo postado nesse sábado (5), Dia Mundial do Meio Ambiente, nas redes sociais do grupo. A gravação foi feita a pedido da ONG Abrace a Serra da Moeda, entidade ambiental que atua em defesa dos recursos hídricos da região.

Durante o vídeo, os componentes da Lagum enaltecem o local de onde vieram, além de valorizarem o arsenal hídrico da região. O vocalista Pedro Calais, por exemplo, destaca sua infância vivida em Brumadinho, junto da família e dos amigos, e o fato de que toda a carreira dos músicos foi construída, justamente, na Serra da Moeda. “Desde o nome do grupo, que é uma referência a este lugar, onde nossa história começou, à nossa logomarca, um recorte da montanha com a lagoa, a Serra da Moeda é inegavelmente inspiração para a banda”.

Já o guitarrista Jorge ressalta o crime sofrido em Brumadinho, em janeiro de 2019, com o rompimento da barragem na Mina Córrego do Feijão, da mineradora Vale. “Esta é uma região que vive constantemente ameaçada pela exploração mineral e ambiental desenfreada”, pontua.

Por fim, o guitarrista Otávio Cardoso pede para toda a sociedade, tanto aqueles que moram em Brumadinho quanto os que são beneficiados pela abundância de água da região, protegerem os recursos hídricos do aquífero montanhoso. “A grande BH, por exemplo, é abastecida por rios que nascem na Serra”, enfatiza.

Para a advogada ambientalista da ONG Abrace a Serra da Moeda, Beatriz Vignolo, contar com o apoio de uma banda não apenas famosa em todo o Brasil mas que tem suas raízes firmadas no local defendido pela entidade, é de extrema valia para gerar engajamento e conscientização ambiental coletiva. “Empreendimentos instalados na costa leste da serra ameaçam as principais nascentes responsáveis pelo  abastecimento dos condomínios e das várias comunidades no Vale do Paraopeba. É preciso que a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (SEMAD), tenha responsabilidade com a segurança hídrica da Região Metropolitana de Belo Horizonte e que toda a sociedade civil cobre das instâncias públicas de poder, normas mais rígidas para proteger esta importante cadeia montanhosa, considerada a caixa d’água fundamental para toda grande BH”.

Para assistir ao vídeo do Lagum, clique neste link: https://www.instagram.com/tv/CP0owtvHHgA/?utm_medium=copy_link

Ameaças para a Serra da Moeda

Um dos empreendimentos que, segundo a ONG Abrace a Serra da Moeda, compromete os recursos hídricos da região, é a fábrica da Coca Cola, instalada em 2015, em Itabirito, às margens da BR040. Com capacidade para produzir 2,4 milhões de litros de refrigerantes por dia, a empresa está localizada na estrutura geológica conhecida como Sinclinal da Moeda e demanda uma grande quantidade de água a ser retirada do aquífero. “A grandiosa operação pode esgotar nascentes que compõem o Monumento Natural Municipal da Mãe d’água, já que a previsão é bombear do aquífero, em sua capacidade máxima, quase 300 mil metros cúbicos de água por mês, o que corresponde ao consumo mensal de 38.500 pessoas”, alerta Beatriz, acrescentando ainda que aCoca Cola não efetuou Estudo de Impacto Ambiental (EIA/RIMA) de sua fábrica, embora a atuação da empresa seja considerada de significativo impacto.

Outro empreendimento que ameaça o patrimônio natural contido na Serra da Moeda é um faraônico complexo residencial, o CSul Lagoa dos Ingleses, que será construído em torno de Alphaville, no município de Nova Lima. O complexo, que ocupará uma área de 27 milhões de m², com demanda de mais de 2.300.000 m³ de água por mês, também não apresentou estudos hidrogeológicos prévios consistentes, que confirmem sua viabilidade ambiental, conforme levantamento realizado pela Abrace. “O resultado dessa negligência pode causar impactos diretos sobre nascentes da região e comprometer não só o fornecimento de água para as mais de 10 mil famílias que vivem no entorno da Serra, como também para toda a grande BH, já que estes aquíferos recarregam as bacias do rio Paraopeba e Velhas, que por sua vez abastecem a capital e vários municípios vizinhos”, explica Vignolo.

Por fim, a reativação da Mina Serrinha, localizada no distrito de Piedade do Paraopeba, em Brumadinho, de responsabilidade da mineradora Ferrous Resources do Brasil, permite que sejam reaproveitados finos de minérios de ferro, dispostos em seis pilhas. A atividade, porém, provocará o rebaixamento do lençol freático e também o esgotamento da nascente Mãe D’água.

Estudos técnicos demonstram ainda que a volta da mineração nesta região trará a degradação da paisagem, instabilidade da encosta da Serra, poluição sonora, crescimento urbano desordenado, emissão de poeira e colocará em risco a sobrevivência de espécies de flora endêmicas e de fauna, atualmente ameaçadas de extinção.

Para conter as atividades mineratórias na Mina Serrinha, a Abrace a Serra da Moeda ajuizou, em março, uma Ação Civil Pública com pedido de liminar contra a mineradora Ferrous Resources do Brasil, cujos direitos minerários foram comprados pela Vale em dezembro de 2018. No documento a entidade pede a suspensão da Licença Ambiental Simplificada (LAS), emitida pela Superintendência Regional de Meio Ambiente para a mineradora em abril do ano passado. “A LAS não poderia ter sido concedida antes que a FERROUS/VALE apresentasse um Estudo de Impacto Ambiental e Relatório de Impacto no Meio Ambiente (EIA/RIMA) sobre o empreendimento. Esses documentos são negligenciados desde o final dos anos 80. Foram realizados apenas estudos ambientais de menor complexidade”, aponta Beatriz.

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