Eles pertencem aos grupos mais suscetíveis a quadros graves da doença respiratória e, por isso, precisam redobrar cuidados com prevenção

Diante do atual crescimento dos casos de coronavírus, grupos mais suscetíveis aos quadros graves da doença precisam redobrar os cuidados com a prevenção, entre eles os pacientes oncológicos, que vem crescendo a cada ano no Brasil. Estimativas do Instituto Nacional do Câncer (INCA) apontam que somente em nosso país, devem ser registrados 625 mil novos casos de tumores para cada ano do triênio 2020/22.

Para orientá-los, o oncologista clínico Bruno Aragão, que pertence ao corpo clínico do Cetus Oncologia (hospital dia especializado em tratamentos oncológicos com sede em Betim e unidades em Belo Horizonte e Contagem), tira algumas dúvidas sobre o assunto.

O paciente com câncer deve parar o tratamento nestes tempos em que os índices de transmissão da Covid-19 estão crescendo?

Não Essa decisão deve ser feita junto aos médicos que atendem o paciente. É óbvio que, em algumas situações, consultas e exames poderão ser adiados ou remarcados para que ele não se exponha ao vírus.

Quais os cuidados básicos que o paciente oncológico, naturalmente com o sistema imunológico mais vulnerável, deve ter no dia a dia para não se contaminar?

Ficar em casa quando não for o dia de fazer a quimio ou radioterapia; sair caso seja realmente necessário e, se o fizer, manter a distância de pelo menos, 1,5 metro das outras pessoas; lavar as mãos com frequência; evitar contato com pessoas com sintomas gripais; evitar aperto de mãos, abraços e beijos, inclusive nos familiares; e não compartilhar objetos de uso pessoal, como copos, talheres e toalhas são alguns deles. Também é importante higienizar objetos e superfícies tocados com frequência.

Quais os cuidados importantes que os centros oncológicos devem ter para receber o paciente com câncer?

Todos os pacientes e acompanhantes, ao chegarem nas unidades de saúde, devem receber, imediatamente, uma máscara cirúrgica, além de serem orientados quanto ao uso do álcool em gel. No Cetus, intensificamos a disponibilização do produto em pontos estratégicos da instituição (entrada da clínica e nos locais de maior circulação de pessoas). Se porventura ele [paciente] chegar na consulta com sintomas de Covid-19, imediatamente deve ser direcionado a um atendimento específico em consultório destinado para este fim, sendo isolado, distanciado dos demais. O ideal mesmo é que ela não saia de casa caso esteja sintomático.

O que fazer quando o paciente não pode reduzir as sessões de quimioterapia?

A unidade de saúde  deve disponibilizar máscaras e álcool em gel assim que eles chegarem. É importante também que o local faça umareadequação no espaçamento dos leitos da sala de infusão. Na recepção, deve-se, por exemplo, distanciar as poltronas: uma fica livre e a outra disponível para ser ocupada e assim sucessivamente. O importante é garantir ao paciente a continuidade do tratamento.

Além dos médicos, toda a equipe de funcionários e recepcionistas que trabalham no atendimento direto ao paciente com câncer também deve estar atenta à prevenção da Covid-19, correto?

Sem dúvida. Essa conscientização deve ser coletiva. Neste momento, considerado pelos infectologistas o mais grave da pandemia no Brasil, é ideal que as unidades de saúde optem pelo trabalho home office para todos os profissionais que não precisam, obrigatoriamente, estarem in-loco, entre eles os trabalhadores do setor administrativo. Essa é uma forma de diminuir o número de colaboradores transitando na instituição. Aqueles que não conseguem fazer o home office em virtude de alguma demanda cuja presença na empresa seja necessária, devem obrigatoriamente recorrer ao uso de máscaras, mesmo que não tenham contato direto com os pacientes, além de higienizarem as mãos com frequência. Essa é uma postura que protege toda a comunidade.

A vacinação já acontece no Brasil, mesmo a passos lentos. O paciente oncológico pode ser vacinado?

A vacina salva vidas, é um produto da ciência e, por isso, extremamente confiável e capaz de conter o coronavírus. Sendo assim, ninguém, pincipalmente os pacientes oncológicos, jamais devem cogitar a possibilidade não se imunizar. E mesmo após tomar a primeira dose, eles, assim como todos nós, precisam continuar usando a máscara, higienizar as mãos com frequência e manter o distanciamento mínimo de 1,5 metro de outras pessoas. Só quando a cobertura vacinal for alta, com 80% ou mais da população brasileira vacinada, é que poderemos tirá-la. Por isso, quem quer mesmo arrancá-la, não pode negar a vacinação. Quanto mais depressa formos protegidos mais rápido deixaremos para trás esse triste capítulo da nossa história.

Os pacientes oncológicos deveriam ser incluídos nos grupos prioritários para receber o imunizante?

Apesar das edições recentes do Plano Nacional de Operacionalização da Vacina excluir o câncer do grupo de comorbidades prioritárias, restringindo-se a incluir na descrição do grupo de imunossuprimidos os pacientes oncológicos que realizaram tratamento quimioterápico ou radioterápico nos últimos seis meses e aqueles com neoplasias hematológicas, a Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC) defende que os enfermos de câncer em todo o território nacional sejam incluídos nos grupos com prioridade na vacinação contra a Covid-19. A defesa se baseia nas evidências científicas de que eles são mais vulneráveis aos riscos de complicações ocasionadas pelo Sars-CoV-2. Outra entidade que também reforça a importância da vacinação para os pacientes oncológicos é a Organização Mundial de Saúde. Baseada na literatura científica produzida ao longo do enfrentamento da pandemia ao redor do mundo, a OMS inclui as pessoas com câncer no grupo de risco para complicações da Covid-19, independentemente do tipo da doença e das circunstâncias do tratamento. Isso significa que eles não podem esperar.

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