Biópsias, um dos principais procedimentos para detecção de tumores, tiveram redução de 39,11% no Brasil, quando comparados os meses de março a dezembro de 2019 e 2020

Além de colapsar o sistema de saúde em várias regiões do Brasil, a Covid-19 pode contribuir, no futuro, para que cânceres dos mais diversos tipos sejam descobertos em estágios avançados. Isso porque as biópsias, um dos principais procedimentos para o diagnóstico de tumores, tiveram redução de 39,11% em todo o país, quando comparados os meses de março a dezembro de 2019 e 2020. Em 2019 foram realizados 737.804 desses exames e, em 2020, um total de 449.275. As maiores quedas ocorreram em abril (-63,3%) e maio (-62,6%). Os dados são da mais nova edição da pesquisa Radar do Câncer feita pelo Instituto Oncoguia (SP) com apoio da farmacêutica Roche.

Segundo o oncologista clínico Charles Pádua, diretor médico do Cetus Oncologia, hospital dia especializado em tratamentos oncológicos com sede em Betim e unidades em Belo Horizonte e Contagem, essa queda pode contribuir para o represamento de diagnósticos e, infelizmente, inviabilizar a cura para muitos pacientes. “Consequentemente vamos observar um número maior de pessoas com necessidade de tratamentos quimioterápicos e radioterápicos, feitos em conjunto para enfermidades mais complexas e potencialmente com mais efeitos colaterais”.

Ainda de acordo com Charles, o que também agrava a situação é o fato de que os dados de 2021 são desconhecidos. “Quando as entidades de oncologia forem comparar o ano atual com 2020, acredito que a redução será mais drástica, já que estamos no pior momento da pandemia no Brasil, o que afasta a população dos consultórios e clínicas por medo de contrair a Covid”.

No que se refere à saúde da mulher, outros exames importantes como o citopatológico cérvico vaginal, solicitado tanto para diagnóstico, como para rastreamento de câncer do colo do útero, também teve queda no período analisado pelo Oncoguia, assim como a mamografia. Houve redução de mais de 50% nos exames citopatológicos e a mamografia de rastreamento apresentou queda de 49,81%. “A cada ano no Brasil, cerca de 700 mil pessoas recebem o diagnóstico de câncer e 225 mil morrem por conta da doença. Em situações normais, o país já possui uma alta taxa de diagnóstico tardio. Agora, com a pandemia, tudo indica que o problema vai aumentar muito. Esse cenário pode, infelizmente, resultar no aumento da mortalidade [por câncer] em um futuro não muito distante”.

Charles também pontua que a comunidade científica é unânime quanto a este assunto. Os pacientes não podem deixar de fazer suas consultas de rotina. Quando estão em tratamento, não devem abandonar a terapia. “Em algumas situações, são ponderáveis pequenos atrasos, desde que não comprometam o cronograma e eficácia [do tratamento].”

Por fim, o médico tranquiliza a população quanto à segurança dos consultórios médicos nestes tempos de pandemia. “As clínicas especializadas são muito mais seguras quando comparadas ao atendimento em um Pronto Socorro ou Unidades de Pronto Atendimento. Elas vêm seguindo à risca todos os protocolos sanitários para garantir que o paciente, já com diagnóstico de câncer, possa continuar seu tratamento com os cuidados necessários e aquele com suspeita receba a confirmação da neoplasia de forma precoce. O quanto antes a ajuda médica for solicitada, melhor será o resultado e possibilidades de cura”.

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