Segundo oncologista clínica, dado confirma ainda mais a importância não só dos fumantes abandonarem imediatamente o vício como também daqueles que nunca fumaram, jamais terem curiosidade pela primeira tragada

Neste Dia Mundial sem Tabaco, um importante alerta divulgado pela Sociedade Paulista de Pneumologia e Tisiologia de São Paulo: a pessoa que fuma, ao entrar em contato com a Covid-19, torna-se ainda mais vulnerável, com 45% mais chances de sofrer complicações de saúde. Isso acontece porque os fumantes apresentam aumento expressivo da ECA2, enzima bastante presente nos pulmões, que permite ao coronavírus se conectar para infectar as células.

Para a oncologista clínica Elisa Ramos, que faz parte do corpo clínico do Cetus Oncologia [hospital dia especializado em tratamentos oncológicos com sede em Betim e unidades em Belo Horizonte e Contagem] o aumento expressivo da ECA2 nas vias aéreas inferiores sugere que o vício contribui para o aumento dos receptores pelos quais o vírus invade o organismo.

Ainda de acordo com a médica, a cada tragada de cigarros ou de produtos similares, o fumante também inala considerável volume de monóxido de carbono. A grande afinidade de ligação deste monóxido com a hemoglobina gera a carboxiemoglobina, que acarreta baixo nível de oxigênio no sangue, o que resulta em menor tolerância ao exercício e ao esforço físico. “Entre os fumantes que podem ser alvos do coronavírus, o baixo nível de oxigênio no sangue e a exposição a outras toxinas do tabaco levam à disfunção da camada que reveste o interior dos vasos sanguíneos e linfáticos, a um processo inflamatório generalizado e à maior formação de coágulos”, alerta Ramos acrescentando que o tabaco, em suas diferentes formas, [cigarro, charuto, cachimbo, narguilé, cigarro de palha, dispositivos eletrônicos para fumar, etc] contém mais de 4,5 mil substâncias tóxicas. “Destas 90 são comprovadamente cancerígenas”, explica.

Outros malefícios do cigarro

E engana-se quem acha que o cigarro está associado apenas ao câncer de pulmão. Elisa ressalta que ele ainda pode aumentar o risco de câncer de bexiga, esôfago e tumores de cabeça/pescoço, que envolvem laringe, orofaringe e cavidade oral. “Isso sem falar de Acidente Vascular Cerebral, diabetes, hipertensão impotência sexual e doenças respiratórias como bronquite, asma e pneumonia. Todos esses quadros citados podem piorar e/ou agravar o quadro de Covid-19”.

Apesar do número de fumantes no Brasil ter caído no Brasil [Segundo o IBGE, em 2019, cerca de 20,4 milhões de brasileiros, 12,8% da população com 18 anos ou mais, eram usuárias de produtos derivados de tabaco. Em 2013, esse percentual era de 14,9%.], a oncologista clínica do Cetus se diz preocupada com outro dado: entre os que continuam fumando, 34% declararam a um levantamento da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocuz) terem aumentado o consumo durante a pandemia. Ainda de acordo com o estudo, este crescimento está associado à deterioração da saúde mental dos tabagistas, com piora de quadros de depressão, ansiedade e insônia. “Esse é um cenário muito preocupante, visto que o hábito certamente irá permanecer após a quarentena, já que a nicotina é altamente viciante”.

E a médica tem razão quanto ao poder de dependência que a substância causa ao organismo. Ao ser absorvida, a nicotina atinge o cérebro entre 7 e 19 segundos, liberando substâncias químicas para a corrente sanguínea que levam a uma sensação de prazer e bem-estar. “Essa sensação faz com que os fumantes usem o cigarro várias vezes ao dia. Nesses momentos de turbulência e incertezas que estamos vivendo, ele [o cigarro] acaba se tornando uma válvula de escape, infelizmente perigosa, cujos danos são silenciosos e podem prejudicar o organismo durante anos sem que o usuário perceba. Sendo assim, evitar o tabagismo ou suspendê-lo o mais precocemente possível favorece diretamente a prevenção e os riscos relacionados”, enfatiza.

Os benefícios para quem deixa o vício no passado são perceptíveis, conforme aponta Elisa. Estudos sugerem que após quatro semanas sem fumar, a função imune nos pulmões já apresenta melhora, o que ajuda a reduzir o risco de complicações do coronavírus e de outras infecções respiratórias. A pressão arterial e a frequência cardíaca, por sua vez, diminuem depois que o organismo fica livre por apenas 20 minutos do cigarro. Já a diminuição das taxas de oxigênio no sangue ou nos tecidos, decorrente da intoxicação crônica por gás carbônico, tende a desaparecer depois das primeiras oito horas sem uma tragada. “Após um dia de abstinência, há melhora também da circulação sanguínea e, após duas a 12 semanas, caem os riscos de trombose e doenças cardíacas”.

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