Com a retomada dos bares e restaurantes em BH, garçons comemoram volta ao trabalho e, assim, a possibilidade de fazer o que mais gostam: atender clientes, colecionar amigos e boas histórias

Nesta quarta-feira (11) comemora-se o dia de um dos trabalhadores mais essenciais no setor de alimentação fora do lar, os garçons. A categoria, infelizmente, faz parte de uma triste estatística. Segundo a Associação dos Garçons e Similares de Minas Gerais, 40 mil profissionais de bares e restaurantes foram demitidos em Belo Horizonte e região metropolitana por causa da pandemia, sendo que antes havia em torno de 140 mil. Com a retomada do setor na capital mineira, eles comemoram a volta ao trabalho e, assim, a possibilidade de fazer o que mais gostam: atender clientes, colecionar amigos e boas histórias.

É o caso de José Marques Rosário Filho, 73 anos. Garçom há quase 50 anos, 24 deles só no Parrila del Marcado, no tradicional Mercado Distrital do Cruzeiro, Zé Marques, como é carinhosamente conhecido pela clientela do local, é o mais antigo da casa. Ele conta, com orgulho, que durante quase meio século de profissão, já formou os três filhos só carregando bandejas. “Um é contador, outro dono de farmácia e o terceiro trabalha com venda e compra de automóveis.”

As histórias que Zé guarda também são memoráveis e poderiam ser reunidas em um livro de ‘causos verdadeiros’ neste fascinante universo dos bares e restaurantes. “Teve uma vez que atendi um cliente de muleta. Ele exagerou um pouquinho na bebida, foi embora e esqueceu o acessório, acredita?! Já teve outro [cliente] que também bebeu bastante a ponto de não conseguir reconhecer o próprio carro. Eu disse para ele voltar, ficar esperando dentro do restaurante. O último veículo que sobrasse no estacionamento seria o dele, e assim foi”, lembra acrescentando que a grande graça de ser garçom é poder conhecer pessoas, se comunicar. “Você tem que gostar do outro, de ouvir, atender, de prosear, quando o cliente quer prosear, é claro”, afirma. O dom, inclusive, já rendeu ao veterano, gorjetas generosas. “Já cheguei a ganhar R$ 1000 de um único cliente. Na hora de pagar a conta, ele me deu a quantia em mãos para agradecer pelo atendimento”.

Enquanto José Marques tem uma rica experiência, colhida pelas quase cinco décadas de profissão, o garçom Jonatas Lindson Pereira, 30 anos, apesar de estar na área a apenas cinco anos, [ele veio do Norte de Minas para trabalhar em BH e por aqui, conseguiu o primeiro emprego como garçom] afirma ser primordial conhecer os detalhes de cada freguês, principalmente quando a presença dele é frequente no estabelecimento. Profissional do Gastrô Hub, restaurante no bairro Serra especializado em culinárias de quatro países, Jonatas conta que já sabe, inclusive, o tipo de carne que alguns clientes preferem sem que eles tenham a necessidade de fazer o pedido. “Assim que eles chegam, já sei qual o vinho, o ponto da carne. E essa eficiência faz com que o consumidor se sinta em casa. É uma forma de não só de fidelizar [o cliente] mas também contribuir para uma propaganda positiva da casa, afinal sabemos bem que, nós garçons, somos o cartão de visita. E quando o atendimento não é legal, a notícia se espalha e a cliente foge. Mas quando a casa tem boa fama, o efeito é oposto, o público vem”.

Agenda Comunicação Integrada

Jornalistas responsáveis:

Maíra Rolim – JP 8850- MG

Daniel de Andrade – RP 0020661-MG

(31) 3021-0204 | 9 8500-1358 | 9 9120-1068

www.agendacomunicacao.com