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12.04.2019
Protestos vão marcar 12º Abrace a Serra da Moeda, em Brumadinho

Pela primeira vez, participantes vão usar camisa preta na hora do abraço simbólico, que será formado às 12h28, horário em que barragens da Vale se romperam; haverá ainda homenagens ao Corpo de Bombeiros e às vítimas do grave crime ambiental

“Nosso luto é a nossa luta”: é com esse mote que acontece, no próximo dia 21 de abril, a partir de 10h, na região conhecida como Topo do Mundo, em Brumadinho, a 12ª edição do Abrace a Serra da Moeda. Neste ano o protesto em prol da preservação da cadeia montanhosa, que fica a 30 km do centro de Belo Horizonte, passará por mudanças. O ato será, principalmente, em solidariedade às vítimas do rompimento da barragem de Córrego do Feijão, ocorrido em janeiro, e em repúdio a Vale, empresa responsável pelo grave crime ambiental. Haverá ainda uma homenagem ao Corpo de Bombeiros, que atuou no resgate dos atingidos e das centenas de mortos. A estimativa de público é de três mil pessoas, entre autoridades públicas, ambientalistas, comunidades locais, esportistas, grupos culturais e amantes da natureza.

De acordo com a presidente da ONG Abrace a Serra da Moeda, Cristina Vignolo, o ápice do protesto está marcado para acontecer, pontualmente, às 12h28, [horário do rompimento das barragens da Vale no Córrego do Feijão], quando um enorme cordão humano se formará no cume da serra, simbolizando um grande abraço. Diferentemente das 11 edições anteriores, em que todos os participantes sempre usaram uma camisa branca, nesta 12ª a cor preta será escolhida pelos organizadores para reforçar o luto vivido por todos os moradores de Brumadinho, desde o último dia 25 de janeiro. “Queremos reivindicar, ou melhor, exigir uma mudança de rumo na condução das políticas econômicas, que vem comprometendo a capacidade de prevenir a sociedade de desastres causados por grandes empreendimentos poluidores. Mais que responsabilizar os envolvidos nesse crime, é preciso evitar que situações semelhantes sejam repetidas”, ressalta Cristina.

Além do abraço simbólico, uma grande performance com 32 artistas está prevista para acontecer durante o evento. O ato, que será dirigido pelo bailarino, ator e coreógrafo mineiro Tiago Gambogi, irá destacar algumas cenas marcantes da tragédia de Brumadinho, entre elas o momento em que os rejeitos da barragem de Córrego do Feijão se romperam, matando pessoas e destruindo toda a região ao redor, e a busca incansável dos bombeiros por corpos e sobreviventes. “Durante a encenação, alguns atores/performers serão arrastados e/ou carregados por performers-bombeiros. Aos poucos todos se levantam e começam a se pintar com tinta vermelha e lama, de maneira ritualística, ao mesmo tempo em que irão emitir palavras de ordem expressando o descontentamento da sociedade por este genocídio cometido em Brumadinho”, explica Gambogi.

Reivindicações dos anos anteriores continuam

Além de trazer à tona o crime ambiental cometido pela Vale em Brumadinho, a 12ª edição do Abrace a Serra da Moeda continuará exigindo da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (SEMAD), responsabilidade com a segurança hídrica da Região Metropolitana de Belo Horizonte. Isso porque o órgão ambiental estadual vem se posicionando favorável à viabilidade de empreendimentos que produzem significativos impactos, especialmente na Serra da Moeda, sem qualquer estudo conclusivo acerca da viabilidade hídrica dessas atividades.

Um desses empreendimentos que, segundo os ambientalistas do Abrace a Serra da Moeda, vem reduzindo drasticamente a vazão de nascentes da região é a fábrica de refrigerantes da Coca-Cola FEMSA, instalada no município de Itabirito, às margens da BR-040, em meados de 2015.

Com capacidade para produzir 2,4 milhões de litros de refrigerantes por dia, a multinacional, localizada em uma estrutura geológica conhecida como Sinclinal da Moeda, extrai mensalmente 173.253m3 de água dos mananciais subterrâneos da Serra apenas para atender a demanda de seus poços, situados a poucas centenas de metros de aquíferos que atendem milhares de pessoas em Brumadinho. Com isso, algumas comunidades locais passaram a enfrentar uma situação de desabastecimento. É o caso do pedreiro Arlindo Leocárdio da Silva, de 58 anos. Segundo ele, desde que a fábrica da Coca Cola chegou a região e passou a tirar água da nascente Campinho, o vilarejo onde ele mora, que leva o mesmo nome da nascente, passou a ser abastecido por três caminhões-pipa, enviados diariamente pela empresa. “Atualmente a nascente está com um volume razoável por causa das chuvas recentes, mas quando o período de estiagem chega, a consequência é a falta de água até mesmo para as necessidades mais simples. Antigamente eu tinha plantação e criava gados. Hoje, infelizmente, tive que abrir mão dos dois”, revela.

Para contornar o problema a ONG Abrace a Serra da Moeda, já apresentou à direção da Coca-Cola, alternativas locacionais para o abastecimento dos poços que operam na fábrica. No entanto, até hoje a tradicional empresa de refrigerantes se nega a estudar o assunto. “Pedimos que as autoridades públicas tratem esta questão de forma urgente e com respeito aos moradores”, alerta Maria Cristina, acrescentando que essas nascentes deterioradas alimentam, inclusive, o Rio Paraopeba, que, por sua vez, é um dos responsáveis pelo abastecimento da grande BH. “Se elas continuarem sendo comprometidas, cedo ou tarde a população da capital mineira também vai ter que entrar num esquema de racionamento, ou seja, a devastação tem efeito dominó”, destaca a ambientalista.

CSul – Projeto de expansão urbana da RMBH

Outro empreendimento que ameaça o patrimônio natural contido na Serra da Moeda é um faraônico complexo residencial, o CSul Lagoa dos Ingleses, que será construído em torno do Alphaville, no município de Nova Lima. O complexo, que ocupará uma área de 2015,30 hectares para 150 mil pessoas, em terrenos de usos mistos, multifamiliar, unifamiliar, empresarial, tecnológico, comercial, de serviços e logística, tem demanda mensal de mais de 2.300.000 m³ de água por mês, a ser retirada das nascentes da região. Mesmo com toda essa grandiosidade do projeto, seus responsáveis não apresentaram estudos hidrogeológicos prévios consistentes, que confirmem sua viabilidade hídrica.

Embora estivesse ciente do problema, a Câmara de Atividades de Infraestrutura de Transporte, Saneamento e Urbanização (CIF) do Conselho Estadual de Política Ambiental (Copam), ligado à Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Minas Gerais (Semad), concedeu, em setembro de 2018, a Licença Prévia para tornar viável o megaempreendimento, que agora está em busca da Licença de Instalação. As obras estão previstas para serem implantadas em quatro fases, com término estimado até 2065.

Mineradora Ferrous Resources do Brasil

Além do esgotamento das nascentes provocado pela Coca-Cola e da possibilidade iminente de instalação do CSul Lagoa dos Ingleses, também chama a atenção dos ambientalistas da Abrace a Serra da Moeda o fato da Vale ter comprado, recentemente, os direitos minerários da Ferrous Resources do Brasil e poder, a partir dessa aquisição, reativar a Mina da Serrinha, localizada em Piedade do Paraopeba. “Essa mina provocará o rebaixamento do lençol freático e consequentemente o esgotamento da nascente Mãe D’água, que está ao lado do empreendimento. Isso vai afetar diretamente 10 mil famílias das comunidades Córrego Ferreira, Palhanos, Recanto da Serra, Águas Claras, Jardins e Retiro do Chalé”, destaca Vignolo.

Estudos técnicos demonstram ainda que a volta da mineração nesta região trará a degradação da paisagem, instabilidade da encosta da Serra, poluição sonora, crescimento urbano desordenado, emissão de poeira e colocará em risco a sobrevivência de espécies de flora endêmicas e de fauna, atualmente ameaçadas de extinção.

A Mina da Serrinha afetará também a vida de pessoas de comunidades do vale do Paraopeba, devido às instalações de alto impacto ambiental, como pilhas de estéril, bacia de rejeitos, usina de beneficiamento e mineroduto. “O transporte do minério impactará os prédios históricos de Piedade do Paraopeba e as estradas municipais, por onde passarão a circular os caminhões de minério para escoar a produção da mina”, explica a presidente.

Informações sobre a Serra da Moeda

Localizada no Quadrilátero Ferrífero e ao sul da cadeia de montanhas do Espinhaço, a Serra da Moeda está a 30 km do centro de Belo Horizonte. Com 1500 metros de altitude, abriga inúmeras nascentes e uma vasta biodiversidade. A vertente de Brumadinho, onde se realiza o abraço simbólico, vem se firmando também como um dos destinos turísticos mais atraentes nas proximidades da capital mineira. A beleza cênica, altitude, relevo e a condição climática tornaram o espaço ideal para a prática de esportes outdoor, como voo livre, mountain bike, cavalgadas e caminhadas. A gastronomia local também é outro grande atrativo.

 

 

Sobre a ONG Abrace a Serra da Moeda

Responsável pelo abraço a Serra da Moeda, protesto realizado anualmente desde 2008, a ONG Abrace a Serra da Moeda tem se destacado pela defesa das águas e serras de Minas Gerais. Inicialmente como movimento popular, constitucionalizou-se em associação civil em 2011.

Como chegar – Topo do Mundo

De BH – Acesso pela BR 040, sentido Rio de Janeiro – Continuar reto após o trevo de Ouro Preto (altura do Alphaville) e pegar a Saída 567 (Inhotim), à direita, subida para o condomínio Retiro do Chalé.

Serviço:

12º Abrace a Serra da Moeda

Data e hora: 21 de abril, domingo, a partir de 10h

Horário do abraço simbólico: pontualmente às 12h28

Local: Rampa de voo livre no Topo do Mundo (De BH – Acesso pela BR 040, sentido Rio de Janeiro – Continuar reto após o trevo de Ouro Preto (altura do Alphaville) e pegar a Saída 567 (Inhotim), à direita, subida para o condomínio Retiro do Chalé.)

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