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22.01.2020
Na era dos likes, pratos instagramáveis tomam conta do cardápio de restaurantes

Muitos fazem questão de caprichar na luz, no cenário e naquela calda escorrendo, capaz de deixar o cliente salivando do outro lado da tela e, com isso, sentir vontade de conhecer o restaurante

Comer com olhos: na era dos likes e do engajamento, onde muitas pessoas escolhem lugares e refeições que saem bem na foto, essa expressão, que surgiu ainda na Roma Antiga, nunca esteve tão atual. Isso é o que os chefs mais desejam a seus potenciais clientes na hora de prepararem um prato. O próprio crescimento do Instagram no Brasil contribui para isso. Segundo o portal alemão Statista, em 2019, a rede social tinha 72 milhões de perfis brasileiros, perdendo em número de usuários apenas para os Estados Unidos e Índia. Graças a esse boom, os profissionais da cozinha encontraram na ferramenta, uma forma atrativa de divulgar o cardápio e expandir a clientela por meio do encantamento. Cada vez mais eles estão investindo, não só no sabor, como também no visual de suas criações que, ao serem preparadas, ganham alguns elementos perfeitos para ‘bombarem’ na web, seja por meio de uma calda escorrendo capaz de fazer qualquer um salivar do outro lado da tela ou daquele ‘vaporzinho’ de fumaça, capturado na foto, que transmite a ideia de que a comida acabou de sair do forno. A tendência é tão forte que esses pratos ganharam o adjetivo “instagramáveis”.

No restaurante italiano D’agostim di Paratella, por exemplo, até a cor da louça [preta], na qual é servida o Paglia e Fieno al ragu d’anatra, de tradição camponesa, é pensada para harmonizar com o prato e resultar em belos cliques. “Ela contrasta com a tonalidade dourada do macarrão”, afirma o chef Paratella Matheus explicando que tudo deve ser levado em consideração já que antes do cliente escolher o que irá comer, ele se apaixona, primeiramente, pela foto postada. “Sendo assim, é extremamente importante que o chef esteja atento ao visual [do prato], à combinação de cores. Todos esses fatores juntos, somados às sensações olfativas no momento em que o consumidor recebe o prato, geram estímulos no cérebro e despertam o desejo pelo consumo”, afirma.

Ainda segundo Paratella, a própria massa em si é servida de uma forma que garante beleza para as fotos. Utilizando uma pinça fina, Matheus a enrola em uma concha. Em seguida, a massa é apoiada levemente no prato para ficar suspensa. Por fim, ele coloca, por cima, um pouco de ragu, azeite extravirgem, óleo de basílico e um broto. “Esse cuidado na montagem enriquece a experiência do cliente, afinal não podemos esquecer que o momento mais esperado para ele é quando o garçom levanta o cloche. Essa é a hora em que todas as expectativas devem se tornar as mais gostosas realidades”.

Outro restaurante da capital mineira que pensa com carinho na montagem dos pratos, por entender a força das belas imagens nas redes sociais, é o Gomez, no bairro de Lourdes. O consultor do estabelecimento, Rudolf Tschoepe, afirma que 80% dos clientes costumam comê-los já mornos pois ficam entretidos tirando fotos ao recebê-los. “Isso é sinal de que no primeiro contato que eles têm com a comida, o quesito estética é agradável”.

Segundo Tschoepe, até mesmo os pratos considerados ‘simples’, resultam em boas postagens. Um exemplo é a Tian de Aubergine (lasanha de berinjela grelhada), cujo vermelho intenso do molho de tomate artesanal sobre a berinjela e a manta de muçarela de búfala em cada camada dão um brilho para o prato a ponto de qualquer pessoa considerá-lo apetitoso só de olhar.

Já no La Vinicola Wine Bar & Fingerfood, os pratos considerados instagramáveis pelo chef Vitor Pacheco [responsável pelo cardápio] são o Cannoli Toscani e a Gorgonzola & Filet Bread (panhoca artesanal recheada com filé mignon ao gorgonzola). No caso do primeiro, a composição contribui para torná-lo fotogênico. “A massa crocante, quando tem um processo de cocção perfeita, fica com uma cor muito bonita, um bege/dourado vivo, que somado ao verde brilhante da couve, a pimenta biquinho e ao recheio de ragu laranja/avermelhado, deixa o prato com um jogo de cores interessante, tanto para as lentes de um fotógrafo profissional quanto na câmera do celular”, afirma Pacheco acrescentando que este Cannoli é exclusivo do La Vinicola. “É uma releitura que fiz de um prato tradicional italiano, normalmente doce. Criei uma versão salgada, usando linguiça suína”.

O filé com gorgonzola, por sua vez, ganha beleza ao ser colocado dentro da panhoca italiana. De acordo com Pacheco, a cremosidade do molho derretido saindo do pão junto aos pedaços de filé e a cor bronzeada da massa da panhoca tornam o fingerfood o mais fotografado pelos clientes ao lado do Cannoli.

Para a fotógrafa gastronômica Débora Gabrich, a primeira coisa que os profissionais de cozinha devem levar em consideração ao fotografarem seus pratos, principalmente se desejam ter um feed atrativo, é o fato de que cada elemento é diferente, ou seja, é importante entender o tipo de alimento fotografado e a mensagem que o estabelecimento deseja passar através das fotos. “Isso vai influenciar na escolha da luz, enquadramento e ângulo”, ressalta.

A fotógrafa, que tem entre seus clientes a Espetacular Doceria, doceria francesa localizada no bairro Funcionários, revela que pelo fato dos produtos da chef pâtissier Elisa Dayrell serem feitos com muito cuidado e detalhes, é necessário que esse esmero seja transmitido pelas fotos. “O consumidor, ao ‘bater o olho’ nas imagens, precisa perceber que as tortas da Elisa são feitas com ingredientes finos, frescos e selecionados. Então, devo considerar esses aspectos ao escolher a luz, a composição das fotos”, explica acrescentando que ao fotografar os doces finos da loja, sempre opta por uma iluminação mais suave, com um pouco menos de sombra, o que valoriza o produto.

Quanto à produção, Gabrich recomenda cautela na hora de selecionar os elementos que vão fazer parte da foto, regra que vale tanto para cenários simples ou elaborados. “Não vale a pena colocar inúmeros elementos [na foto] só para preencher espaço. Eles precisam fazer sentido, estarem dentro de uma paleta de cores, por exemplo”.

Por fim, a especialista ainda orienta sobre a importância de uma imagem que não seja muito surreal ou excessivamente tratada. “Comida tem que ter cor de comida. É bem mais interessante dar um destaque para a cor, da forma como ela é, do que fazer alterações drásticas e encher a imagem de fotoshop. Se a calda é vermelha ela tem que ser vermelha, não pode ser vinho, nem laranja. O natural desperta muito mais o desejo de comer, do que optar por uma imagem que a gente sabe que não existe”.

Serviço:

D’Agostim di Paratella

Rua Bernardo Guimarães, 2520 – Santo Agostinho

Telefone: (31) 3347-7126

Espetacular Doceria

Rua Bernardo Guimarães, 229 – Funcionários

Telefone: (31) 2535-0790

Gomez Restaurante

Rua Tomás Gonzaga, 641 – Lourdes

Telefone: (31) 9 9922-5300

La Vinicola Wine Bar & Fingerfood

Unidade Vila da Serra: Alameda Oscar Niemeyer, nº 1369 A

Unidade Buritis: Rua Henrique Badaró Portugal, nº 143. Lj. 1.

Unidade Lourdes: Rua São Paulo, 1815. Lj. 1.

Telefone: (31) 3889-0098

 

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