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07.03.2019
Mais de 40% dos brasileiros fazem autodiagnóstico pela internet

Segundo oncologista, informações sobre doenças colhidas na internet podem, até mesmo, gerar pânico no paciente, ainda mais no caso do câncer, que é cercado de mitos; Melhor alternativa é recorrer ao médico

Quem nunca ao sentir uma dorzinha de cabeça, por menor que fosse, já correu para o Dr. Google? Basta digitar, por menos de cinco segundos, no teclado “como curar uma enxaqueca”, que a sua página será tomada por um variado leque de remédios e soluções capazes [ou não] de acabar com o incômodo. Se você se identificou, pertence ao grupo dos 40,9% de brasileiros que fazem autodiagnóstico pela internet. Os dados são do Instituto de Ciência, Tecnologia e Qualidade (ICTQ), entidade de pesquisa e pós-graduação na área farmacêutica. Na pesquisa anterior, de 2016, o índice de autodiagnóstico online foi de 40%.

Para o oncologista clínico Bruno Muzzi, da Cetus Oncologia, com sede em Betim e unidades em Belo Horizonte e Contagem, esse crescimento se deve possivelmente ao imediatismo das pessoas, principalmente entre os jovens, que têm mais acesso aos meios digitais, o que pode ser comprovado, inclusive, pela pesquisa mais recente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgada em dezembro. Segundo o órgão, pela primeira vez, praticamente dois terços da população do país (69,8%) passaram a ter conexão com a internet. Deste total, 97% acessam a web com o smartphone. “Logo, fica mais fácil obter informação de todo e qualquer tipo”, ressalta.

O perigo, porém, mora no risco que o autodiagnóstico traz consigo. De acordo com o médico, a enorme variedade de fontes de consulta no ambiente virtual pode fazer com que o usuário receba informações erradas e com isso comprometa ou negligencie seu tratamento. “Na internet qualquer um pode receber a chancela de ‘médico’ e escrever sobre tudo, sem necessariamente ter conhecimento técnico/acadêmico sobre o que está falando. Algo que é lido na web, e que não é verdade, pode até mesmo gerar pânico no paciente, ainda mais no caso do câncer, que é cercado de mitos. Com isso, ele pode acreditar erroneamente que seu caso é mais grave do que parece ou o contrário, que seu quadro é leve e sem riscos, sendo que na verdade a situação é oposta”, enfatiza Muzzi.

Quando o assunto é saúde, o ditado popular que mais vale a pena ser lembrado, segundo Bruno, é o de que nem tudo que parece é, ou seja, existem vários sintomas que parecem ser típicos de uma doença, entretanto, cada um é específico e apenas exames clínicos e complementares comprovarão o diagnóstico real do paciente. “O câncer de mama, por exemplo, um dos que mais matam mulheres em todo o mundo, pode se apresentar de diversas formas. Alguns tumores necessitam apenas de cirurgia, enquanto outros demandam também quimio e radioterapia”, explica acrescentando que tudo vai depender do estágio em que a doença é diagnosticada e se o paciente tem outras enfermidades que podem agravar o caso, como por exemplo diabetes, insuficiência cardíaca, entre outras. “Por isso, o melhor a fazer, diante de qualquer sintoma, é consultar um médico de confiança”, completa.

A mesma regra vale para as soluções da medicina natural. Muito se fala, atualmente, sobre os alimentos e plantas capazes de curar determinados tipos de câncer. Acreditando nessas informações, várias pessoas deixam de buscar tratamento clínico e recorrem à internet para encontrar esperanças de cura nestes métodos alternativos, o que pode ser perigoso. Segundo Muzzi, embora os produtos naturais auxiliem na reposição de deficiências de vitaminas e minerais, devem ser complementares ao tratamento convencional, se necessário. “Outra questão importante é que o fato do produto ser natural, não significa que seja isento de efeitos colaterais que possam, por sua vez, prejudicar o tratamento convencional”, destaca. Bruno ressalta também que os estudos comprobatórios da eficácia da medicina natural ainda são bem incipientes quando comparados às pesquisas da medicina tradicional, feitas em âmbito internacional, utilizando método científico e milhares de pacientes.

O médico deixa claro que a tecnologia pode ser uma aliada do paciente, desde que bem usada. Prova disso é que muitos [pacientes], hoje em dia, têm o whatsapp do médico para consultá-lo diante de dúvidas. “O que não pode acontecer é essa figura humana do profissional de saúde ser inteiramente substituída por mecanismos de buscas como o Google. É o médico quem deve tomar todas as condutas do tratamento do paciente, ou seja, norteá-lo”, acrescenta.

Para quem não abre mão de buscar informações sobre doenças na internet, a melhor opção, de acordo com Bruno Muzzi, é recorrer aos grandes portais, que possuem maior credibilidade, além dos canais oficiais da medicina, como sites da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica, INCA (Instituto Nacional de Câncer), Sociedade Brasileira de Cancerologia, entre outros.

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