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27.08.2019
Existem alimentos que realmente previnem ou evitam o câncer?

Segundo nutricionista clínica esse poder associado a determinados alimentos é muito comum, porém equivocado; hábito ideal é recorrer à dieta com diversos grupos de nutrientes capazes de fortalecer o corpo

Basta fazer uma simples pesquisa no google com a frase ‘alimentos para prevenir ou evitar o câncer’, que somos bombardeados com as mais diversas informações. Os conteúdos sobre esse assunto são tantos, que fica praticamente impossível descobrir o que é fato ou fake. Há alguns sites, inclusive, que falam de dietas milagrosas e plantas medicinais surpreendentes, capazes de eliminar as chances de qualquer tumor. O tema, porém, exige muita cautela, inclusive no tipo de nomenclatura usada para definir a eficácia dos alimentos.

Segundo a nutricionista clínica Gisele Magalhães, responsável pelos cuidados alimentares de pacientes do Cetus Oncologia BH [hospital dia especializado em tratamentos oncológicos, com sede em Betim e unidades em Belo Horizonte e Contagem] é equivoco falar que alguns alimentos ‘previnem’ ou ‘evitam’ câncer. O que eles fazem é fortalecer todo o organismo devido à presença dos nutrientes. “Uma vez que ele [o organismo] está funcionando de forma adequada, o nosso corpo será capaz de combater as células tumorais, que muitas vezes nós mesmos produzimos, de forma natural”, explica.

Nesse sentido, Gisele recomenda sempre a opção pelos mais naturais, livres de agrotóxicos. Essas substâncias químicas, por sinal, usadas no Brasil em larga escala para manter pragas e insetos longe das lavouras, podem, a longo prazo, alterar a estrutura das células e potencializar os riscos de tumor. “O chamado efeito cumulativo dessas microdoses de venenos ao longo da vida é apontado pela OMS (Organização Mundial da Saúde), como responsável pelo aparecimento de diversas doenças, sobretudo, o câncer”, enfatiza a nutricionista. E as perspectivas tornam-se ainda mais preocupantes pelo fato de que cada brasileiro consome, em média, 7 litros de agrotóxicos por ano, segundo levantamento da Fundação Oswaldo Cruz.

Outros vilões da saúde, de acordo com Magalhães, são os alimentos embutidos, como salsicha, linguiça, mortadela, presunto e salame. Feitos à base de carne, eles foram inventados para facilitar as preparações e aumentar o prazo de validade. O problema é que possuem maior teor de gordura saturada em relação à carne natural e excesso de conservantes e corantes, como o nitrito e o nitrato. “O uso frequente e em quantidades maiores que as recomendadas, aumenta as chances de câncer de intestino”, afirma. “Isso não quer dizer, porém, que todo mundo que comer embutidos terá a doença. É sempre bom relativizar. Aqui estamos tratando de maiores e/ou menores possibilidades”, pontua.

Ainda de acordo com Gisele, qualquer pessoa, independentemente da idade, deve ficar atenta ao consumo em excesso de refrigerantes, biscoitos, doces, salgados, refrescos, salgadinhos, cereais matinais e pratos congelados. Isso porque estes itens fazem parte de um grupo de alimentos ultraprocessados, ou seja, formulações industriais prontas para consumo. Eles são feitos nas fábricas a partir de diversas etapas de processamento e combinam muitos ingredientes que ninguém tem na cozinha de casa, como extrato de carnes, gordura vegetal hidrogenada, xarope de frutose, espessantes, emulsificantes, corantes, aromatizantes, realçadores de sabor e vários outros tipos de aditivos, incluindo substâncias sintetizadas em laboratório a partir de carvão e petróleo, por exemplo. “Uma alimentação baseada apenas no consumo destes produtos pode, não só, aumentar o risco de câncer como causar obesidade, hipertensão e Acidente Vascular Cerebral (AVC)”.

Descasque mais, desembale menos

 

            A nutricionista deixa claro que sua intenção não é demonizar os alimentos industrializados, mesmo porque é impossível conviver sem eles nos dias de hoje. A questão é buscar o equilíbrio. “Sempre que possível vale a pena romper com esse círculo de alimentação fast-food que nos rodeia e buscar o pequeno produtor que não usa agrotóxico. Não precisa ser só o orgânico. Comida de verdade causa menos adoecimento”, enfatiza.

E quando Gisele se refere à ‘comida de verdade’, ela faz questão de pontuar que não existe um único alimento saudável ou milagroso. O ideal é recorrer aos diversos grupos alimentares. “Ter um alimentação diversificada, com a inserção de carboidratos, legumes, verduras, frutas, oleaginosas, carnes e ovos é sempre a melhor alternativa. Quem pratica esse hábito tem, ao mesmo tempo, uma refeição colorida e se mune de todos os nutrientes de cada grupo, necessários para o organismo reagir a qualquer infecção”, explica acrescentando que a melhor forma de preparar os alimentos in natura é usar o mínimo de água possível, pois ela favorece a perda de nutrientes. “Você pode grelhar, assar ou cozer, mas sempre com pouca água”.

O estilo de vida é outra peça chave para aumentar o campo de prevenção contra câncer e outras doenças. A nutricionista revela que faz questão de perguntar à seus pacientes quais os cuidados que eles têm para além da alimentação, ou seja, se praticam atividades físicas ao ar livre, se dormem, no mínimo, oito horas por noite, etc. “As pessoas se atropelam demais, abriram mão de terem tempo. Querem ter um, dois três empregos, fazer duas faculdades ao mesmo tempo. Com isso, negligenciam aspectos básicos da saúde para dar conta de todas essas tarefas: comem muito rápido para chegar ao trabalho, trocam o almoço pelo lanche da rua, fazem longos intervalos entre uma refeição e outra. Um dia, infelizmente, a conta por esse descaso chega e pode ser cara.”

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