Sala de
Imprensa

Fechar
27.08.2019
Cigarro pode causar vários tipos de cânceres

Tabaco fumado em qualquer uma de suas formas, causa até 90% de todos os cânceres de pulmão; ele também pode provocar tumores malignos na laringe, bexiga, boca, esôfago, pâncreas, rins, colo do útero, entre outros

Dados do Sistema de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel) revelam que, em 2018, 9,3% dos brasileiros afirmaram ter o hábito de fumar. Em 2006, ano da primeira edição da pesquisa, esse percentual era de 15,7% — uma redução de 40%. Graças a essa queda, o Brasil se tornou o segundo país do mundo a cumprir as medidas indicadas pela Organização Mundial de Saúde (OMS) para a redução do fumo. A informação está no relatório da OMS divulgado em julho deste ano. O documento revela que dentre os 171 países que aderiram às medidas globais da OMS, apenas o Brasil e a Turquia implementaram as ações com sucesso.

A notícia é comemorada com êxito pela oncologista clínica Daiana Ferraz, do Cetus Oncologia [hospital dia especializado em tratamentos oncológicos com sede em Betim e unidades em Belo Horizonte e Contagem.] Isso porque, além de ser um fator de risco significativo para acidentes vasculares cerebrais e ataques cardíacos mortais, o tabaco fumado em qualquer uma de suas formas, está associado a até 90% de todos os cânceres de pulmão. “No Brasil, o INCA estima que até o final deste ano sejam registrados 31.270 novos casos de câncer de traqueia, brônquio e pulmão em decorrência do tabagismo”, destaca a médica.

Segundo Ferraz, embora a nicotina [princípio ativo do tabaco] não seja uma substância que causa diretamente o câncer, ela participa da carcinogênese, processo de formação do tumor, que em geral ocorre lentamente, podendo levar vários anos para que uma célula cancerosa prolifere e dê origem a uma neoplasia visível. “Por isso, muitas pessoas ficam doentes após décadas de uso do cigarro. É uma contaminação silenciosa”, explica.

Ainda de acordo com Daiana, cada tragada de fumaça do cigarro introduz no organismo 4 trilhões de radicais livres. Esse excesso pode, a longo prazo, causar vários outros tipos de câncer, como por exemplo o de laringe. “Entre os sintomas deste tumor está a rouquidão: se ela perdurar por mais de duas ou três semanas, especialmente nos fumantes e usuários habituais de álcool, pode ser sinal de alterações na laringe, que merecem avaliação, diagnóstico e acompanhamento médico”, afirma Daiana.

A bexiga também é fortemente afetada pelas substâncias químicas do cigarro. Depois de inaladas, elas entram na corrente sanguínea e são filtradas pelos rins. “E, lá adiante, na bexiga, a urina ainda contém componentes do cigarro, o que pode danificar células da região”, completa a oncologista, acrescentando que embora o câncer nesse órgão não seja tão comum, em contrapartida, tem uma taxa de mortalidade bastante alta — seis vezes maior do que a do tumor mais comum entre os homens, o de próstata.

Os principais sintomas da doença envolvem, além de sangue e espuma na urina, dor e dificuldade para fazer xixi. Infecções urinárias frequentes também acusam o problema. “E vale lembrar: mesmo que não indiquem um tumor, esses sinais podem levar à descoberta de outras complicações do trato urinário – portanto, sempre merecem atenção”, pontua a especialista.

E engana-se quem pensa que a lista de problemas para por ai. Daiana alerta que tabagismo aumenta em até oito vezes a chance de um indivíduo ter câncer na cavidade oral em comparação com um não fumante. Quando há combinação entre tabagismo e etilismo (uso de bebidas alcoólicas), o risco pode ser até 20 vezes maior. O principal sintoma da doença é o aparecimento de feridas na boca que não cicatrizam. “Grande parte das lesões que afetam os lábios e o interior da cavidade oral (que engloba língua, bochecha, faringe e garganta) tem a característica de ficarem escondidas. Por isso, tendem a ser diagnosticadas apenas em estados avançados. Quando a doença é descoberta de forma tardia, a chance de cura cai para menos de 50%. Por isso, o ideal é suspender o quanto antes o tabagismo para prevenir com ênfase lesões iniciais de câncer bucal”, destaca.

Outros cânceres relacionados ao tabagismo, segundo Daiana, podem ser detectados no esôfago, pâncreas, rins, colo do útero, entre outros órgãos e glândulas.

Tratamento pelo SUS

Desde 2002, o Ministério da Saúde, juntamente com as secretarias estaduais e municipais de Saúde, vem organizando uma rede de unidades de saúde do SUS para oferecer tratamento do tabagismo aos fumantes que desejam parar de fumar mas não conseguem por conta própria.  O tratamento é realizado por profissionais de saúde de nível superior e composto de uma avaliação individual, passando depois por consultas individuais ou sessões de grupo de apoio, nas quais o paciente fumante entende o papel do cigarro na sua vida, recebe orientações de como deixar de fumar, como resistir ao vício e principalmente como viver sem cigarro.

Durante as quatro primeiras reuniões de grupo (ou consultas individuais) são fornecidos manuais de apoio com informações sobre cada uma das sessões. Também são fornecidos medicamentos gratuitos com o objetivo de reduzir os sintomas da síndrome de abstinência à nicotina.

Entre 2005 e 2016, quase 1,6 milhão de brasileiros já realizaram o tratamento de cessação do tabaco na rede pública de saúde, segundo o INCA. Além disso, a população conta, desde 2001 com um serviço telefônico nacional para tirar dúvidas, cujo número (Disque Saúde 136) deve estar obrigatoriamente estampado no rótulo frontal de todos os maços de cigarros. “Quem deseja largar o vício, mas não consegue por força própria, deve, o quanto antes, procurar o coordenador do controle de tabagismo no posto de saúde mais próximo de sua residência ou do trabalho, e se informar sobre os locais e horários de tratamento do tabagismo. Essa é uma medida não só de adoção a hábitos saudáveis, mas, sobretudo, de sobrevivência”, finaliza a oncologista.

ASSESSORIA DE IMPRENSA:

Agenda Comunicação Integrada

Jornalistas responsáveis:

Maíra Rolim – JP 8850- MG

Daniel de Andrade – RP 0020661-MG

(31) 3021-0204 | 9 8500-1358 | 9 9120-1068

www.agendacomunicacao.com