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22.05.2020
Câncer X Coronavírus: como evitar que paciente oncológico abandone tratamento por medo da COVID-19

A pandemia de coronavírus trouxe consigo um novo problema: o medo do brasileiro de ir ao médico tratar outras doenças, que costumavam ser a maioria das internações nos hospitais: cardiopatias, diabetes e câncer. Desde que a Pandemia do COVID-19 chegou por aqui, no final de fevereiro, ao menos 50 mil pessoas deixaram de ser diagnosticadas com câncer. Outros milhares de pacientes, já com o tumor detectado, tiveram seus os tratamentos suspensos. Só em abril, cerca de 70% das cirurgias destinadas ao tratamento do câncer foram adiadas. As estimativas são das Sociedades Brasileiras de Patologia e de Cirurgia Oncológica.

Na entrevista abaixo, o oncologista clínico Charles Pádua,  diretor médico do Cetus Oncologia, [hospital dia especializado em tratamentos oncológicos com sede em Betim e unidades em Belo Horizonte e Contagem], fala sobre a importância do paciente oncológico não abandonar o tratamento neste momento de pandemia e dos cuidados que hospitais devem ter para recebê-los.

O câncer é um fator de risco para a COVID-19. O que fazer quando a pessoa, além de ser diagnosticada com um tumor, também tem mais de 65 anos?

Orientamos o paciente a seguir todas as recomendações da Organização Mundial da Saúde, ou seja, usar máscaras sempre que houver necessidade de sair de casa, higienizar as mãos com frequência, além de cumprir o distanciamento/isolamento social. Já no que se refere ao tratamento, a Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC) preconiza que este não deve ser suspenso. Cada caso deve ser avaliado pelo médico assistente. Se o paciente, por exemplo, está com a doença sob controle e consegue manter o tratamento em casa, por meio de medicações orais, esta certamente será a melhor opção. Mas a decisão sobre o que fazer é do médico em conjunto com o paciente.

 

Nesse cenário de pandemia, qual é a postura mais assertiva para lidar com o paciente com câncer, cujos cuidados durante o tratamento, acabam sendo mais complexos?

No momento da confirmação da consulta, o atendente pergunta ao paciente se ele apresenta algum sintoma suspeito de COVID-19. Diante de uma confirmação, o recomendado é entrar em contato com o médico responsável [pelo paciente] para que ele verifique se a pessoa realmente precisa ir à unidade de saúde ou se a consulta pode ser adiada por alguns dias sem que isso prejudique o tratamento. Neste caso o objetivo é evitar que outros pacientes imunossuprimidos entrem em contato com o vírus. Também é importante orientar o paciente que reduza o número de acompanhantes durante as sessões de quimioterapia. Neste momento estamos permitindo [no Cetus] apenas um [acompanhante] por paciente, desde que ele não seja do grupo de risco para infecção pelo COVID, isto é, não tenha idade acima de 65 anos e nem doenças pré-existentes.

 

Existem outros cuidados importantes para receber o paciente com câncer?

Todos os pacientes e acompanhantes, ao chegarem nas unidades de saúde, devem receber, imediatamente, uma máscara cirúrgica, além de serem orientados quanto ao uso do álcool em gel. No Cetus, intensificamos a disponibilização do produto em pontos estratégicos da instituição (entrada da clínica e nos locais de maior circulação de pessoas). Se porventura ele [paciente] chegar na consulta com sintomas, imediatamente deve ser direcionado a um atendimento específico em consultório destinado para este fim, sendo isolado, distanciado dos demais.

 

Além dos médicos, toda a equipe de funcionários e recepcionistas que trabalham no atendimento direto ao paciente com câncer também deve estar atenta à prevenção da COVID-19, correto?

Sem dúvida. Essa conscientização deve ser coletiva. Neste momento de pandemia é ideal que as unidades de saúde optem pelo trabalho home office para todos os profissionais que não precisam, obrigatoriamente, estarem in-loco, entre eles os trabalhadores do setor administrativo. Essa é uma forma de diminuir o número de colaboradores transitando na instituição. Aqueles que não conseguem fazer o home office em virtude de alguma demanda cuja presença na empresa seja necessária, devem obrigatoriamente recorrer ao uso de máscaras, mesmo que não tenham contato direto com os pacientes, além de higienizarem as mãos com frequência. Essa é uma postura que não protege apenas os pacientes mas toda a comunidade.

 

Em muitos casos, há pacientes cuja periodicidade da quimioterapia não pode sequer ser reduzida. O que fazer nessas situações?

A instituição deve disponibilizar máscaras e álcool em gel assim que eles chegarem. É importante também que as unidades de saúde façam uma readequação no espaçamento dos leitos da sala de infusão. Na recepção, deve-se, por exemplo, distanciar as poltronas: uma fica livre e a outra disponível para ser ocupada e assim sucessivamente.

 

O que fazer nos casos em que o paciente opta pela suspensão da quimioterapia por medo de ser contaminado pelo coronavírus?

Como disse, não é possível suspender o tratamento sem antes o médico avaliar o histórico do paciente. Porém se o paciente optar por não sair de casa para se tratar, a unidade de saúde deve ter condições de ofertar um atendimento diferenciado on-line no qual seja possível traçar novas medidas de abordagem para o caso.

 

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