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08.07.2019
Avanços nos tratamentos e investimento em pesquisa podem impulsionar interesse de novos profissionais por oncologia clínica

Relatório da Agência Internacional de Pesquisa em Câncer aponta que o mundo terá 22 milhões de novos casos por ano da enfermidade até 2030. Só no Brasil, 600 mil pessoas serão diagnosticadas com alguma neoplasia até o fim de 2019, segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA).

Outros números que reforçam o crescimento desta doença nos últimos anos, podem ser encontrados em um levantamento da IQVIA, empresa que reúne dados do setor de saúde. De acordo com o órgão, só entre 2012 e 2016, os custos globais em tratamentos relacionados ao câncer aumentaram de US$ 91 bilhões para US$ 113 bilhões. Esses custos devem atingir a marca de US$ 147 bilhões em 2021. O crescimento está associado também à expansão das classes médias pelo mundo – que, atualmente, podem pagar planos de saúde.

Se por um lado esses dados parecem apontar para um cenário desafiador, por outro o setor tem motivos para comemorar importantes avanços. Segundo a oncologista clínica do Cetus Oncologia, Drª Elisa Fontes [hospital dia especializado em tratamentos oncológicos, com sede em Betim e unidades em Belo Horizonte e Contagem], as melhorias no tratamento de cânceres raros e dos tumores em estágios mais avançados são alguns deles. “O conhecimento da biologia molecular tem permitido cada vez mais que os oncologistas possam direcionar tratamentos específicos para as neoplasias com respostas melhores e mais rápidas”, afirma. A médica também ressalta o surgimento das novas drogas, especialmente os imunoterápicos, inibidores de checkpoint e as drogas-alvo [terapias direcionadas a um alvo molecular], como outras conquistas para serem celebradas. “Com esses novos tratamentos, conseguimos aumentar a sobrevida e a qualidade de vida de pacientes metastáticos, o que era impensável a alguns anos. Desse modo, eles podem viver com mais qualidade, mesmo que a doença não tenha cura”.

As pesquisas científicas sobre câncer também têm ganhado força no Brasil nos últimos anos, o que, de acordo com Elisa, pode ser uma motivação para a formação de novos profissionais. Dos 187 ensaios clínicos aprovados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) em 2017, 74% deles foram para o setor.

Desafios

Apesar das melhorias no tratamento oncológico e dos avanços na pesquisa clínica, a oncologista não descarta alguns entraves que ainda perduram para os profissionais envolvidos no setor, como por exemplo a burocracia na liberação de novos medicamentos. “Alguns, inclusive, são comprovadamente superiores, porém o processo de aprovação pela ANVISA é demasiadamente moroso. Depois que ela [ANVISA] aprova, o medicamento tem ainda que passar pelo rol da Agência Nacional de Saúde (ANS). Isso sem falar da dificuldade das operadoras de saúde em pagar por essas medicações. Por fim, temos os problemas do SUS, impossíveis de serem enumerados em sua totalidade”, cita.

Outro desafio da oncologia brasileira, segundo Fontes, é conseguir descentralizar os profissionais e levá-los para as periferias e cidades do interior, onde, infelizmente, milhares de pessoas não têm acesso a saúde básica, tampouco à medicina preventiva, e acabam tendo que se deslocar até os grandes centros para se tratarem.

 

Perfil profissional

​            De acordo com Elisa, uma dica para quem pretende escolher a oncologia, é buscar aprimoramento em uma das subespecialidades, como tumores femininos, geniturinários, aparelho digestivo, cabeça e pescoço, tórax, tecido conjuntivo/pele e sistema nervoso central. Elas permitem ao oncologista focar seu atendimento em uma parte específica do corpo humano. Porém, independentemente, de qual seja a área escolhida, todos devem, prioritariamente, não só gostar de pessoas como valorizar o ato de cuidar. “Muitas vezes não é possível curar o paciente, mas conseguimos oferecer cuidados tão cruciais que lhe permitem uma sobrevida adequada”, pontua.

A resiliência e a empatia são outras competências intrínsecas a este profissional. Para a médica, é fundamental que o médico responsável por tratar um câncer se coloque no lugar do outro como se aquela dor fosse sua. Entretanto, é importante que ele aprenda a lidar com o sofrimento alheio sem internalizá-lo. “Lidamos com a vida e a morte com muita frequência. Por isso, o ideal é tentar entender o sofrimento do paciente sem levá-lo para a casa”, enfatiza.

​            A profissional do corpo clínico do Cetus também ressalta a importância deste médico estar sempre inserido em grupos multidisciplinares. Isso porque, segundo ela, a troca de experiência com os outros colegas de profissão é o melhor caminho para encontrar soluções assertivas que possam ajudar o paciente. “O tratamento contra o câncer envolve diversos aspectos, não apenas o clínico, como também o social, psicológico e jurídico. Por isso esse atendimento integrado é necessário”, finaliza.