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14.05.2020
Após COVID-19 bares e restaurantes já demitiram 1 milhão de funcionários

De acordo com presidente da ABRASEL-MG, Ricardo Rodrigues, incertezas sobre tempo de duração da pandemia deixaram empresários sem muitas opções de ação

Ao menos um milhão de empregos formais já foram extintos no segmento de bares e restaurantes em todo o Brasil desde o início da quarentena no país, em meados de março. A estimativa é das associações que representam o setor.

De acordo com o presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes em Minas Gerais (ABRASEL-MG), Ricardo Rodrigues, as incertezas sobre o tempo de duração da pandemia de coronavírus deixaram os empresários sem muitas opções de ação. “Em um primeiro momento, logo quando foi decretado o fechamento por tempo indeterminado dos estabelecimentos, colocamos parte de nossos funcionários em férias. Paralelamente, o governo federal criou a Medida Provisória dos Salários, [A MP autorizou suspensão de contratos ou redução de jornada e salários, com compensação paga pelo governo federal]. Entretanto essas medidas são paliativas. Apenas minimizam os prejuízos financeiros decorrentes da impossibilidade de operarmos com as casas abertas”, revela o Rodrigues acrescentando que algumas intervenções do Poder Público também contribuíram para agravar ainda mais o cenário, como por exemplo a liminar concedida pelo ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal, em abril, que exigia a validação dos sindicatos nos acordos individuais para redução de jornadas e salários entre patrões e empregados. “Durante os 10 dias em que esta liminar aguardou julgamento pelo STF, as demissões, infelizmente, aumentaram cinco vezes mais em relação ao número de desligamentos que vinha acontecendo”.

Empresários vivem na corda bamba

Proprietário da rede de restaurantes Assacabrasa, com oito lojas em Belo Horizonte, o empresário José da Costa Carvalho foi obrigado a demitir 10% dos 170 funcionários e dar férias para os que pertencem ao grupo de risco (cerca de 20%) desde que a crise da COVID-19 começou. Já os que estavam aptos a trabalhar foram realocados para as três lojas do grupo que continuaram operando com serviço de delivery. “Com o passar do tempo, cheguei à conclusão de que não havia a necessidade de manter essas três casas [para delivery], visto que elas são muito próximas umas das outras. Então demos férias para parte desses funcionários. Assim a gente vai tentando sobreviver, com a calculadora nas mãos o dia todo”.

Por outro lado, o colega de José Carvalho, o também empresário Túlio Oliveira, à frente do Túlio Internacional Butiquim, no bairro Horto, não conseguiu sequer continuar operando com delivery, sendo obrigado a fechar suas portas. “Eu tenho 72 anos. Minhas cozinheiras têm 65 e 63, respectivamente. O garçom do almoço, que está comigo há anos, tem 72. Estamos todos no grupo de risco da COVID-19. Resumindo: estou completamente fechado há quase 60 dias. A única coisa que posso dizer é que estou ‘quebrado’. Ao longo desses dois meses só criei dívidas. No mínimo 80% dos empresários do setor de alimentação fora do lar se encontram na mesma situação que a minha ou pior”, afirma.

Nem a esperança do comércio de Belo Horizonte voltar a funcionar a partir do próximo dia 25 é animadora para Túlio. “Ninguém sabe exatamente o que realmente devemos fazer caso possamos reabrir. As mesas terão que ficar espaçadas em um ou dois metros? Qual será a quantidade de pessoas permitida [em cada mesa]? Vamos poder usar o passeio pelo fato dele ser mais ventilado? Como vou trazer meus funcionários, que já têm idade avançada, para trabalhar? Tenho pensado dia e noite nesse futuro tão incerto. As questões são intermináveis”.

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