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21.09.2020
23 de setembro – Dia Mundial de Combate ao Estresse | Casos de estresse e ansiedade aumentaram em 80% com distanciamento social, segundo UERJ

Antes da pandemia o Brasil já era o segundo no ranking de população mais estressada do mundo, de acordo com uma pesquisa realizada pelo International Stress Management Association (Isma – Brasil), de 2017. Agora, uma pesquisa recente da Universidade do Rio de Janeiro (UERJ), mostrou que os casos de estresse e ansiedade aumentaram em 80% com o distanciamento social.

Na entrevista abaixo, a psicóloga Adriane Pedrosa, que faz parte do corpo clínico do Cetus Oncologia [hospital dia especializado em tratamentos oncológicos com sede em Betim e unidades em Belo Horizonte e Contagem] fala sobre o assunto e dá algumas dicas importantes para que possamos lidar de forma mais equilibrada com esse momento tão desafiador.

 

 

Adriane, quais são suas principais reflexões ao saber dessa pesquisa da UERJ?

Infelizmente isso é o esperado, haja vista que o coronavírus descontrolou vários aspectos de nossa vida: ficamos temerosos com a nossa própria vida, com o futuro, além de nos sentirmos mais inseguros e com medo de perdermos pessoas queridas para a doença. Com a pandemia os projetos também ficaram parados, a casa mais cheia, as tarefas dobraram, isso sem falar da falta de dinheiro gerada pela crise econômica e das próprias privações do isolamento social, entre elas a falta de opções de lazer. Tudo isso acarreta em um estresse muito grande, principalmente porque o ser humano, de modo geral, gosta de se sentir no controle das coisas, seguro, confortável. Comparo a doença como uma espécie de cratera que se abriu repentinamente a nossa volta, derrubando todas as nossas certezas e convicções.

O estudo da UERJ mostra também que as mulheres são as mais afetadas com ansiedade e estresse em decorrência do isolamento social. Elas realmente estão mais vulneráveis neste momento?

Sem dúvida. Por questões histórico-culturais, várias mulheres acabam se cobrando muito no sentido de conseguir fazer tudo, dar conta de tudo. Também é importante dizer que com a emancipação feminina, ocupamos postos importantes na sociedade, o que é superlegítimo, mas, em compensação, além de exercermos esses novos papeis, muitas de nós continuaram desempenhando a função de cuidadoras da casa. E agora, por não terem o apoio das escolas [que estão fechadas], começaram a realizar 1001 tarefas, o que culmina em um estresse intenso dentro de casa. Para aquelas que não têm o apoio dos companheiros, essa sobrecarga infelizmente foi ainda maior.

Quais são as formas mais eficazes para combater ou minimizar o estresse?

Tentar readaptar a rotina, desenvolver atividades prazerosas, conseguir lidar com os próprios problemas são algumas medidas. Porém, vale ressaltar que cada pessoa é individual, ou seja, deve perceber o que é melhor para si própria e estar atenta aquilo que lhe causa mais estresse. Ao detectar seus pontos de tensão, ela deve parar e começar a buscar formas de eliminar as toxicidades de sua vida. Além disso é importante abandonar essa postura multitarefa se você percebe que não dá conta de fazer várias coisas ao mesmo tempo. Para que colocar 1001 compromissos na agenda diária se muitas vezes é impossível cumprir sequer um terço deles? É fundamental ainda não ter receio de buscar ajuda com as pessoas que estão ao nosso redor nos afazeres do dia a dia. Não dá para abraçar o mundo, se achar onipresente e onipotente.

A mente é o nosso segundo coração. Nunca foi tão importante cuidar da mente quanto agora. Como fazer isso em um cenário de total privação?

Na minha concepção, a mente, na verdade, é tão importante quanto o coração. Isso porque diariamente transportamos os nossos pensamentos, sentimentos e percepções para o coração. Logo, é muito importante que as pessoas percebam essa relação, ou seja, que a saúde mental afeta [e muito] a física e comecem a mudar de postura, caso estejam indo pelo caminho oposto, o de priorizar os pensamentos negativos. O primeiro passo para isso, neste momento, é entender que estamos vivendo tempos desafiadores, que impactaram a nossa rotina e os nossos projetos. Identificar e aceitar essa mudança é o ponto de partida para não nos estressarmos ainda mais com a atual situação. Acredito também que o momento, agora, é de buscarmos coisas menos grandiosas no dia a dia, mas que podem ser igualmente prazerosas àquelas que experimentávamos antes da pandemia: observar o nascer e o pôr do sol, tentar respirar um pouco melhor, parar em determinados momentos do dia e olhar para si, tentar diminuir o nosso modo automático de levar a vida e, como já disse, tentar transformar o que é negativo em positivo e abandonar o espírito de resignação. Adequar-se ao ambiente talvez seja uma boa opção: já que você não pode sair de casa, o que de melhor é possível fazer dentro dela?

 

 

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