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14.08.2020
♫Garçom, aqui nessa mesa de bar…♫

Uma das características mais evidentes do ser humano é, justamente, sua capacidade de servir: servimos às necessidades da empresa onde trabalhamos, dos nossos familiares, de um amigo nos momentos em que ele precisa de acolhimento, enfim. O ato de servir, ajudar, acolher está intimamente atrelado à gênese dos relacionamentos em sociedade.

Optei por resgatar a importância deste verbo já no começo do artigo de hoje, para homenagear um dos ‘profissionais imateriais’ dos bares e restaurantes que sabe, como ninguém, o que é servir ao próximo. Na última terça-feira (11), foi celebrado o Dia do Garçom, figura ímpar no atendimento a todos os clientes que saem para almoçar/jantar ou simplesmente se reúnem para o happy-hour pós expediente.

Profissional bastante popular, ainda mais para quem gosta da vida boêmia, o garçom é, praticamente, a espinha dorsal dos estabelecimentos de alimentação fora do lar. Suas funções vão muito além daquelas para as quais, na teoria, ele foi contratado. Pelo contato frequente e muitas vezes próximo com os clientes [principalmente os fiéis] acaba se tornando amigo, psicólogo e ouvinte.

Se o chef de cozinha é importante pelo fato de assinar o sabor de um restaurante, o garçom tem igual importância pois é ele quem leva este sabor até a mesa do consumidor. É ele quem está na linha de frente do salão, sendo muitas vezes ‘a cara do estabelecimento’. E digo mais: de nada adiantaria as mãos talentosas do primeiro sem o atendimento impecável do segundo.

Muitos, inclusive, são verdadeiros mestres em atender. Quantas vezes, por exemplo, ao chegar em um restaurante, a primeira coisa com a qual você se deparou foi o garçom de sorriso aberto? Quantas vezes, ao chegar no bar do seu bairro o garçom já te chamou pelo nome e imediatamente ‘desceu’ a sua gelada favorita, sem que você sequer precisasse pedir?

Essas e tantas outras práticas comuns a este profissional, são, sem dúvida, uma das várias coisas que fazem falta nestes tempos de pandemia.

Por isso quero hoje, homenagear esses trabalhadores, verdadeiros patrimônios da cena gastronômica que, infelizmente foram os primeiros a perderem seus empregos com o fechamento do setor, há quase 150 dias, em Belo Horizonte.

Sinto muita saudade das casas cheias com o vaivém dos garçons se equilibrando com suas bandejas, como se fossem exímios malabaristas. Por isso deixo aqui o meu respeito, admiração e força a todos que, como diz a famosa letra de Reginaldo Rossi, já cansaram de escutar centenas de casos de amor, afinal no bar todo mundo é igual.

 

Ricardo Rodrigues – Presidente ABRASEL-MG e Coordenador da Frente da Gastronomia Mineira

 

 

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