Conheça a história de duas mulheres que precisaram enfrentar dramas pessoais neste 2020 paralelamente ao temor da Covid-19. Ambas chegam ao fim do ano com motivos para celebrar a vida após serem curadas do câncer

 
A Covid-19, sem dúvida, foi o inimigo comum dos 7,8 bilhões de habitantes do Planeta Terra neste fatídico 2020. Para algumas pessoas, porém, o medo da contaminação pelo vírus que teve seu início em Wuhan, na China, não foi o único desafio deste ano. Elas tiveram que enfrentar dramas pessoais, paralelamente à pandemia. Passaram por uma prova de fogo à parte. Felizmente têm em comum o gosto doce da vitória e a sensação de terem chegado ao fim de um ciclo com um sentimento contagiante de gratidão.
É o caso da professora Roberta Guimarães de Mendonça, 50 anos, que passou por 16 sessões de quimioterapia e 15 de radioterapia, realizadas entre fevereiro e outubro, após ser diagnosticada com um tumor em estágio inicial na mama direita que acabou atingindo a axila. “Não vou negar que tive medo, principalmente neste contexto de pandemia, mas, ao mesmo tempo, me propus a enfrentar tudo que fosse preciso”, afirma. A professora revela, inclusive, que sempre ia feliz para a quimioterapia. “Na radio eu ficava sozinha na sala. Já na quimio eu tinha com quem conversar, o que era ótimo já que sou uma pessoa que adora falar, ter contato com gente. Então eu transformava o tratamento em um evento. Separava minha roupinha para ir ao médico pois entendia que estava indo em busca da minha cura, logo tinha que estar linda, bem vestida. A ocasião era especial”, lembra mas sem romantizar todo o processo pelo qual passou. “É lógico que os medicamentos trazem muitas reações para o corpo, mas não há dor que não se resolva”.
Após o término das sessões de quimio e radioterapia, a tão esperada notícia chegou: em outubro, Roberta estava curada e totalmente livre do câncer. “Deste 2020 quero levar apenas a minha história de superação, que me transformou em uma nova Roberta. Antes do câncer eu era medrosa, um pouco tímida e agora sou destemida. Meus filhos costumam dizer que estou em outro plano”, conta a ex-paciente oncológica, lembrando que nem a perda dos cabelos durante o tratamento foi capaz de fazê-la chorar. “Não derramei uma lágrima sequer afinal ele ia crescer novamente, ia comprar uma peruca se precisasse ou utilizar um lenço. Me apeguei a todos os mecanismos para controlar a situação e encerrar este capítulo da minha vida de forma vitoriosa”.
Quem também renasceu no ano em que o mundo parou foi a analista de crédito Cristiane Rosa Ferreira Valério, de 37 anos. No quarto dia de 2020 ela foi demitida do emprego e quando estava no aviso prévio deparou-se com um inchaço no pescoço. Em março vieram as dores abdominais muito fortes. Depois de vários exames a jovem chegou a ser internada por 10 dias para se submeter a uma biópsia. O diagnóstico, confirmado bem no início da pandemia de Covid-19 no Brasil, acusou um linfoma não Hodgkin, tipo de câncer que tem origem nas células do sistema linfático e que se espalha de maneira não ordenada. A doença já estava se disseminando pelo corpo de Cristiane.
Ao iniciar o tratamento quimioterápico, cujas sessões eram realizadas a cada 21 dias, Rosa conta que sua estratégia foi se desligar um pouco da avalanche de notícias sobre a pandemia, principalmente por ser grupo de risco devido à baixa imunidade resultada das medicações contra o câncer, e focar na saúde mental para enfrentar seu diagnóstico. “O acúmulo de notícias sobre o coronavírus estavam me deixando com crise de pânico. Tinha medo, por exemplo, do meu marido chegar em casa (era ele quem fazia as compras domésticas) e me contaminar. Se eu pegasse (a Covid-19) seria fatal. Eu não tinha defesas no corpo”.
A situação se tornou ainda mais complexa quando a analista de crédito voltou a ser internada por 20 dias (passou 18 deles impedida de se alimentar) no momento mais crítico da pandemia em nosso país. “Tive que usar sonda gástrica, perdi meus cabelos, via casos de Covid chegando no hospital, não podia receber visitas, apenas um acompanhante fixo. Mas mesmo diante de todas as dificuldades não perdi minha fé.” E a fé, segundo Ferreira, foi fator fundamental para a cura, conquistada em outubro, depois de oito sessões de quimioterapia. “Hoje, passado todo o vendaval, vejo o quanto fui abençoada por Deus neste ano onde tantas pessoas perderam seus entes queridos, muitos deles saudáveis, sem nenhum problema. Venci o câncer e agora vou vencer a pandemia.”
Para a psicóloga Adriane Pedrosa, que faz parte do corpo clínico do Cetus Oncologia [hospital dia especializado em tratamentos oncológicos com sede em Betim e unidades em Belo Horizonte e Contagem], e que foi responsável pelo acompanhamento psicológico das duas pacientes, os exemplos de superação de ambas são, sobretudo, inspiradores e ressaltam a importância de sermos sempre gratos à vida, sem jamais sucumbirmos, mesmo quando tudo pareça difícil. “Se para nós, saudáveis, o ano foi difícil, imagine para elas que, além do medo da Covid, tinham que lidar com uma outra doença, cujo diagnóstico já havia sido confirmado. Às vezes valorizamos coisas tão banais e, com isso nos perdemos dos pequenos, mas preciosos detalhes, como observar o voo de um pássaro ou mesmo o caminhar de uma formiga. Tenho certeza que isso tudo se tornou grande para as duas depois das lutas que enfrentaram. Elas mostraram para mim o verdadeiro sentido da palavra esperança. Viveram a dor confiando sempre no amor”.
 
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