Entre janeiro e setembro de 2020, volume de pessoas que procuraram o SUS para fazer diagnóstico caiu 48% na comparação com mesmo período do ano passado

 
Neste Dezembro Laranja, mês dedicado à conscientização contra o câncer de pele, a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) alerta para a drástica diminuição dos exames que permitem detectar esse que é o tumor mais comum entre os brasileiros. Entre janeiro e setembro de 2020, o volume de pessoas que procuraram o Sistema Único de Saúde (SUS) para fazer o diagnóstico caiu 48% na comparação com o mesmo período do ano passado. Em números absolutos 210.032 pedidos de biópsias para detecção da doença foram feitos nos nove primeiros meses de 2019 contra 109.525 no mesmo período de 2020.
Se o ritmo dos atendimentos não for alterado, pelas projeções, o país chegará ao final de dezembro tendo realizado 146 mil exames para confirmar a neoplasia, pior desempenho da década. Segundo especialistas em saúde, a pandemia de Covid-19, tem sido o principal fator que vem trazendo temor à população de ir aos hospitais. Com isso o diagnóstico do tumor fica comprometido bem como o tratamento precoce.
Todo esse cenário se torna ainda mais preocupante pelo fato do câncer de pele corresponder a 27% de todos os tumores malignos no país, segundo dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA). Os carcinomas basocelular e espinocelular (ambos não melanoma) são responsáveis por 177 mil novos casos da doença por ano. Já o câncer de pele melanoma acomete 8,4 mil novas pessoas anualmente. “No basocelular os sintomas começam com lesões vermelhas na pele, que formam casquinhas, inflamam ou até geram feridas que nunca se cicatrizam. Já o espinocelular pode causar destruição extensa no local atingido”, explica a oncologista clínica Daniella Pimenta, que faz parte do corpo clínico do Cetus Oncologia, hospital dia especializado em tratamentos oncológicos com sede em Betim e unidades em Belo Horizonte e Contagem.
A versão melanoma, por sua vez, tem origem nos melanócitos, células produtoras de melanina, substância que determina a cor da pele. “O melanoma pode aparecer em qualquer parte do corpo, como nas orelhas, face, antebraços, pescoço, glúteos, costas e outros locais de maior exposição ao sol. Inicialmente surgem como uma pinta comum. Porém, com o passar do tempo, ela pode mudar de cor, tamanho ou começar a sangrar, transformando-se em nódulos linfáticos”, pontua a médica acrescentando que nos indivíduos de pele negra ele é mais comum nas áreas claras, como palmas das mãos e plantas dos pés.
Embora represente apenas 3% das doenças malignas do órgão, Daniella destaca que o melanoma é considerado o tipo mais grave do câncer de pele, devido à sua alta possibilidade de provocar metástase (disseminação do tumor para outras partes do corpo humano). “Por isso é importante que ele seja detectado em estágio inicial para que não se agrave.” Conforme aponta Daniella, quando a descoberta da doença é precoce as chances de cura podem chegar a mais de 90%, seja por meio de cirurgia para retirada da lesão, válida para a maioria dos casos não-melanoma, ou então através das terapias-alvo e da imunoterapia. “Esta última tem sido muito usada nos quadros mais graves de melanoma e, felizmente, vem aumentando a sobrevida e qualidade de vida dos pacientes”.
Para que o diagnóstico do câncer de pele ocorra quando a doença estiver no começo, Pimenta alerta sobre a importância de consultar um dermatologista pelo menos uma vez ao ano para uma análise completa de todos os sinais e pintas do corpo. “Também é fundamental fazer o autoexame, ou seja, observar prováveis alterações na espessura, diâmetro e coloração das pintas. Qualquer mudança suspeita deve ser investigada imediatamente por meio de uma dermatoscopia, exame no qual se usa um aparelho que permite visualizar algumas camadas da pele não vistas a olho nu”. Se a lesão for constatada e tiver características de malignidade, uma biópsia é solicitada para ratificar o diagnóstico.
Ainda segundo a oncologista do Cetus a ajuda médica deve ser procurada, inclusive, se a lesão for não melanoma pois quando o paciente negligencia o problema, ela [a lesão] pode crescer de tal forma, que para ser retirada pode causar sequelas/deformidades físicas.
 
Prevenção
 
Além das consultas regulares ao dermatologista como forma de monitoramento, evitar a exposição ao sol no horário de 10h às 16, quando os raios ultravioletas são mais intensos, é a melhor forma de prevenir o câncer de pele. “Usar filtro solar com fator de proteção no mínimo 30, bonés, chapéu de abas largas e óculos escuros com proteção UV são práticas que devem ser adotadas em nosso cotidiano, não apenas nos dias de lazer na praia, cachoeiras ou clubes. Para quem trabalha se expondo ao sol diariamente este cuidado também é importantíssimo”, finaliza a médica.
 
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